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Teoria do terceiro amor.

julho 20, 2010

Até meus 20 anos, eu não conhecia o amor. Até esta fase, tive 1 namorado e outros namoradinhos. Meu primeiro namorado, aquele com quem perdi a valorosa virgindade era um bom menino, lindo de doer. Um ótimo primeiro namorado, naqueles para contarmos história. Uma vez, num Motel, eu o vi deitado de bruços e entendi Da Vinci naquele momento. O moço era estonteante. Não o amei, mas ele serviu sim para que eu fosse amada pela primeira vez na vida.

Meu primeiro amor surgiu na faculdade. Ele era amigo de uma paixonite besta que tive. Em uma viagem, eu chorava pela paixonite como uma retardada. Tinha tomado uma medida abusiva de álcool e experimentado sintéticos. Lembro-me dele (o amor, não a paixonite), cuidando de mim, e acho que ali começamos a nos amar. Ele queria outra, eu queria outro, e de repente, algo mudou. Hoje, escrevendo este texto, lembro de estar deitada no colo daquele amigo, chorando, e olhar para cima e ver aquele rosto rosado, fazendo cafuné e olhando para mim. Um topete brega e óculos que não mereciam a minha atenção. Mas ali conheci o amor. Com este mesmo amor, cresci. Conheci com ele a dor de amar, a dor da separação, a dor da loucura, a dor da traição, dores de gente grande que ninguém pode apagar. Não é à toa que alguns amigos e inclusive minha mãe, acham que ficaremos juntos algum dia. Porque eu sofri tanto, tanto, tanto, tanto, mas hoje ainda o amo com uma ternura ímpar. E ele é meu melhor amigo e tem muito de mim, porque mesmo separados, crescemos. Ele conheceu a noite, a arte da fotografia, muitas mulheres – e eu conheci a música, os shows, os grandes eventos. Mas de uma forma ou de outra, sempre estivemos muito conectados. Separamos-nos eu já morava sozinha e acho que estava preparada para encarar a vida como mulher, e não como menina. Mas devemos um ao outro Domingos de Oliveira. Meu mentor e mentor do meu primeiro amor.

Pela primeira vez solteira, aprendi o que é independência. O que é chegar de manhã em casa porque passou a noite papeando nua no Copan com um moço cineasta que conheceu num inferninho de rock, transar com um colega da faculdade sem ninguém ficar sabendo, ou mesmo se apaixonar por uma, duas, três pessoas ao mesmo tempo, receber cantadas dos homens e das mulheres mais lindos já vistos. Ali, comecei a ter histórias e de repente, casei.

Morei junto, by the way, mas foi um casamento. No começo, eu não gostava tanto dele e demoramos um mês para transar, um dormindo com o outro todos os dias. Acho que eu o amei quando nos amamos de verdade, quando transamos pela primeira vez. Eu senti ali o que nunca havia sentido antes, um amor diferente, uma coisa diferente. Sentia-me mulher nos braços de um homem que nunca deixaria nada de ruim acontecer comigo. Até então, o melhor sexo, o melhor amor, a melhor companhia, os melhores discos, os melhores baseados, as melhores festas, o melhor rock. Eu era boa nisso também. Não éramos iniciantes, éramos bon vivants da vida, curtindo o melhor juntos. Já disse muito dele aqui no blog. Semana passada, peguei o telefone, pensei em discar para dizer que ele sempre será muito em mim, mas resolvi desistir, porque no fundo, ele sabe disso. No ano passado, vivi coisas com este amor que matou o pouco de amor que ainda vivia em mim. Foi muito doloroso tirá-lo de mim, porque quando fui embora da nossa casinha, eu ainda o amava muito. Mas essa história de coisas boas e ruins, quem é leitor do blog, já conhece.

E depois? O que restou? O Domingos de Oliveira e o Vinícius de Moraes (aliás, por que os dois têm linhas de raciocínio tão parecidas?) dizem que o homem nasceu para amar. E que se não há dor, não se fará valer a pena.

Engraçado ter um sentimento novo dentro de mim, talvez a nova história do terceiro amor. O terceiro amor deve ser o terceiro olho, algo que sai dos nossos chakras e nos faz enxergar além dos limites da paixão, do sexo, do tesão. O terceiro amor deve ser aquele ingrediente secreto da mulher de quase trinta, aquele cara que vem para ser seu amor e aceita seus brinquedinhos de gente grande, suas calcinhas minúsculas (e as beges também). Mas é relâmpago, voa, e te prepara para o que está por vir e tira da sua cabeça os traumas do passado. É quase que a nossa especialização, nossa pós-graduação na dor de amar. O terceiro amor também é o melhor sexo, putaquepariu! É aquele cara (ou aquela pessoa, no caso dos homens), que vira sua vida de cabeça pra baixo porque você só pensa em trepar todo o tempo do mundo com essa pessoa. Mas, como você já se relacionou antes, você enxerga os defeitos, se torna um pouco egoísta e egocêntrico.

Todas as pessoas do meu hall de convívio entendem esta fase. Todos os meus amigos estão na fase de transição do terceiro para o quarto amor, mas ninguém quer dar o passo de libertação, tão fácil no passado. Meus melhores amigos e amigas amaram três vezes. Será que amaremos mais?

Eu ainda gosto do número cinco e, como todo leitor de Nick Nornby e seu clássico Alta Fidelidade, como definir sua vida sem cinco preferências, sem seu top 5? Eu consigo definir minhas melhores 5 transas, meus melhores 5 beijos, as melhores 5 músicas para dançar coladinho, as melhores 5 músicas de amizade, os melhores lugares para comer uma salada, os 5 lugares mais bonitos que já fui. Só não consigo definir minhas 5 melhores amigas, porque elas são 7, apesar das minhas duas fiéis escudeiras. Enfim…

Será que vou amar mais duas vezes? Porque eu não estou nem um pouco preparada para sofrer novamente. Porque a dor de cada novo amor é única e é nova, e parece que é gradual, que é novidade. Eu sofri muito quando perdi meu primeiro amor, parecia que eu ia morrer. Eu quase não sofri quando meu casamento terminou, fui sofrendo gradualmente, por um longo ano de solidão, roquenrou e solteirice party of life, que ajudou bastante o processo.

E agora, meu sofrimento me motiva a provar para mim mesma que sou a melhor pessoa para ele, mesmo sabendo que fui mesquinha, egoísta, maldosa e mais um montão de coisas ruins que se pode dizer de uma pessoa. Mas que existe perdão. E existem segundas chances. Não é possível que todas as pessoas com quem conversei pensem que mereço uma chance e isso ser errado!

Mas eu não sei se sou seu terceiro amor. E estou na esperança de serem balelas todos esses números, suposições, teorias da cultura pop que tanto nos assombram e acreditar sim, que sou o amor de sua vida.

Anyway, life goes on.

Trilha sonora: Everywhere – Michelle Branch

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Ré Confessa!

julho 16, 2010

 Boa noite queridos leitores. Estou de volta para mais um drama de Mariana, ou melhor, mais uma das histórias engraçadas e bobas que nós postamos por aqui. Na verdade, depois de passar algumas horas sob custódia de melhores amigas, perguntas e mais perguntas apareceram na minha cabeça.

 Ontem, conheci pessoalmente um leitor do blog e morri de vergonha – afinal, ele estava em uma palestra promovida aqui no local em que trabalho. Aí ele disse: “Poxa, vocês deveriam voltar com o Clube, já que lemos coisas tão úteis por lá! Não liga pro falso moralismo não…”. Coloquei a mão na minha cabecinha, refleti, e na verdade, eu cheguei à conclusão que fiquei meio de saco cheio do blog, porque as histórias são sempre as mesmas.

 Foda-se com quem você transa ou com quem você se relaciona, sempre uma das partes vai sair machucada. Uma amiga minha estava me mostrando suas mensagens com seu P.A (pênis amigo) e o P.A, do nada, começou a sentir ciúmes dela. Engraçado isso, o P.A bem que podia ter várias, mas ela não? E por aí vai.

 No mesmo, podemos comparar os relacionamentos. A gente encontra alguém legal, trepa gostoso, começa um relacionamento, e de uma hora para outra ambos começam a errar absurdamente, a ponto de colocar um “pseudo” amor a perder. Ao colocar a mão na minha cabecinha, de novo, fico puta da vida como nós, mulheres, nos permitimos bater sempre na mesma tecla e se machucar da mesma forma?

 Igual se apaixonar por cara casado – É sempre uma bosta. O cara fala que te ama, mas deita com outra. É assim com todas que conheci. Aposto que ele come você e come ela do mesmo jeito, sempre. O mesmo vale para enrolados e namorados de outrem – ele fala a mesma coisa pra ela e pra você, viu “mulher mais gostosa do mundo!”?

 Falando em mulher mais gostosa do mundo, não adianta merda nenhuma você se dar bem com alguém na cama – fato. No dia a dia, ele vai te machucar e você vai machucá-lo. Sabe quantas vezes isso já aconteceu comigo? Pelo menos umas cinco. No meu caso, todos eles eram muito parecidos, inclusive na personalidade. Meus maiores tombos, meus maiores segredos, minhas maiores dores.

 Conversando com a Michelle, minha amiga e parceira deste blog, ela me disse uma coisa que fez muito sentido. Muitas vezes, o cara é um puta cara legal, um gostoso na cama, mas não é na verdade o que queremos. E outro, que é um pouco mais lento, mas inteligentíssimo quanto o outro, pode ser o melhor parceiro para a vida toda.

 Estamos numa idade em que não escolhemos o par perfeito, escolhemos o “pai perfeito”, o cara certo para ser pai dos nossos filhos. Sei lá se passa uma certa loucura nossa, mas ninguém aqui está mais na idade de putaria. A gente está na idade de tomar conta de nossa mente e corpo sãos. E se existe uma escolha a ser feita, a gente não quer um qualquer, a gente quer um cara que possa compartilhar uma vida com a gente.

 Não é neurose de namoro ou de relacionamento, é que não dá mais para perder tempo com relacionamentos que dure pouco tempo, por vaidade nossa ou alheia. Os relacionamentos podem e devem ter um “porém”, um “porquê” de existência. Por que sexo, convenhamos, a gente acha em qualquer esquina.

 Precisei de muito ansiolítico para parar de chorar. Mas como dizem minhas amigas, minha dor de um coração quebrado são profundas e intensas, mas eu tenho a sorte de tê-las por no máximo 48 horas. Desta vez, 20 horas foram mais que o suficiente para erguer minha cabeça, enxugar a meleca do nariz e ter certeza de que eu tentei! E ainda estou aberta para amar (e para o meu amor!)!

 Obrigada leitores, acho mesmo que não pararemos com isto aqui. E quanto mais dores, mais histórias para contar, não é? Mas quando estamos com alguém, perdemos um pouco desta coragem de contar um pouquinho destas vidinhas, neste diário virtual. Vocês nos perdoam?

Vou dar uma de hippie e citar Marisa Monte e Arnaldo Antunes, sem contexto nenhum, mas essa música expressa muita coisa que muitas mulheres querem dizer: “Por isso não vá embora, por isso não me deixe nunca nunca mais!”.

 E eu te amo, caso você leia isto aqui.

Trilha sonora: The More you Ignore me, Closer I get – Morrisey.