“O aborto” e o que penso sobre ele.

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Estou em um Seminário, e acabei fugindo para os computadores, com uma sede de escrever. Estou muito puta com algo e resolvi desabafar. Primeiro nunca falamos de política e nem pretendemos, apesar de minha inclinação partidária, minhas amigas me matariam por isso. Porém, algo nessas eleições me deixou realmente chateada e este tema meus caros, estava para entrar neste blog há tempos: Ser contra ou a favor do aborto?

Não estou aqui para ser falsa moralista ou levantar bandeiras feministas, mas o aborto hoje ainda é tabu no Brasil e nós, mulheres modernas (e não feministas), devemos falar abertamente sobre isso e expressar nossa opinião: Se é não, porque não. Se é sim, porque sim! Acho que antes de qualquer coisa, precisamos pensar o que é certo ou errado dentro da sociedade brasileira e levantar a situação social precária em que estamos.

Sim, sou a favor da descriminalização do aborto. Mas também, sou a favor de uma política instituída em relação a ele. O fato é que os Brasileiros, de uma maneira geral, são um pouco acomodados. E há um medo de que o aborto se torne uma prática anticoncepcional.

Bom, vou aos poucos falar sobre o que penso e tentar organizar minhas idéias. Mas desde que o mundo é mundo, mulheres se enfiam em locais proibidos para a prática abortiva. Na Grécia, na China, no Japão e em mais milhares de lugares, em algum momento da história do mundo, ter filhos foi um problema. Hoje, na maioria dos países da Europa, mulheres podem escolher entre a gravidez ou não até o terceiro mês de gestação – Isso se chama livre arbítrio e é nisso que eu acredito: A gestação pode ser uma escolha até seu terceiro mês, segundo a minha opinião – os religiosos que me perdoem! Não estamos falando de alma, espírito, mas MUITOS médicos defendem esta prática, e ainda afirmam que o feto até este período não está formado, e a prática do aborto não prejudicaria a saúde da gestante.

Trazendo para a realidade brasileira, sei de casos simples (sim, pessoas próximas a mim cometeram este tipo de “delito”) como tomar remédios abortivos comprados no mercado negro; também sei de casos de abortos realizados em clínicas porcas ilegais, mas também sei de casos de mulheres que abortaram com agulhas de crochê (imaginem a cena e choque-se!). Histórias dos anos 50, 60, 70, 80, 90 e 2000. Aí me pergunto: Por que ainda não tratamos o aborto como algo prioritário em nossa vida e sociedade?

Não acho que o aborto deva ser método anticoncepcional de forma alguma, como já citado acima, mas o Brasil precisa discutir essa questão, porque sexo é cultural também em nosso país, e não podemos simplesmente fechar os olhos para isso. Por isso, as mulheres devem se juntas e pensar, juntas, no que seria o ideal para nossa sociedade. Sem falso moralismo, ou questões éticas, sociais e religiosas. Hoje, é uma urgência – Queremos ou não bebês nesta sociedade?

No meio disso, vejo uma eleição retrógrada, onde TODOS os candidatos resolveram usar o aborto como arma de ataque. A minha primeira opção de voto, Marina Silva, derrotada no primeiro turno, é contra a prática do aborto. Porém, seu partido (e meu partido) é completamente defensor da causa. Os Verdes da Europa foram grandes responsáveis pela exceção feminina no Velho Mundo e defendem com unhas e dentes o livre arbítrio. E é quase nisso que acredito também.

Portanto, este é um primeiro texto reflexivo em que levanto o assunto do aborto. Já defendi o uso de preservativos, pílulas, entre outras coisas. Não estou esquecendo o resto. Mas simplesmente acho um absurdo a nossa sociedade estar estacionada no tempo. O que eu gostaria? Não sei! Gostaria só que as pessoas parassem para pensar em como seriam suas vidas e as vidas dos amigos (as) se pudéssemos escolher em relação a ter um filho ou não.

Sim, DEVEMOS usar camisinha. Mas uma gestação, meus caros, deve ser tratada como linha de frente na prevenção de DST´s e Gravidez Indesejada. Filho não é doença, é benção: Ele também deve nascer como uma dádiva.

Eu, Mariana Perin, inicio uma campanha agora em prol da descriminalização do aborto. Inicio nominalmente em um blog sobre relacionamento por razões simples – Falamos sobre sexo!

Os responsáveis pelas Políticas Públicas de Saúde devem pensar nisso. Lendo este blog (link aqui), discordei da postura e militância radical política da autora, porém, concordo que estamos “andando para trás” nessas eleições. Eu vou votar em quem defender o direito das mulheres. E se ninguém defender meus ideais, serei obrigada a votar NULO.

(OBS: Gostaria de deixar claro que esta é uma posição minha e não envolve a opinião das outras autoras, amigas e parceiras de blog! Elas poderão opinar por elas mesmas, se quiserem, afinal, pregamos o livre arbítrio.)

Trilha Sonora: Grávida – Marina Lima

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3 Respostas to ““O aborto” e o que penso sobre ele.”

  1. Vera Motta Says:

    Começo pela Rita Lee que diz que mulher é um bicho esquesito que sangra todo mês…A questão da legalização do aborto deve ser tratada como uma questão de saúde pública da mulher. Nenhuma mulher aborta porque quer… nem engravida com o objetivo de abortar! Desde os tempos remotos a mulher convive com a questão da reprodução como uma função animal. As mulheres primitivas tinham o “cio” e os homens primitivos davam cobertura como fazem os animais. A mulher engravidava, tinha a cria e com ela a função de alimentar, proteger – tudo instintivamente (preservação da espécie!). A paternidade não é um valor inato do bicho homem. Com a evolução do ser humano, uma saída que a mulher primitiva encontrou para prender o macho – foi a simulação de um cio constante (o baton nos lábios nasceu disso), pela contrapartida sexual a mulher passou a negociar as funções (aliás pesadas demais para a condição de fêmea) e os homens passaram a dividir tarefas – alimentar – proteger as crias sempre com o objetivo da cópula. Essas considerações devem ser feitas e analisada a questão de gênero. No tempo da minha avó existia uma tabelinha que as mulheres descobriram quando estavam fértéis e quando não poderiam ter relações sexuais. A pílula anticoncepcional veio revolucionar a vida da mulher e quero pensar à partir disso para falar do aborto. Nos tempos de hoje ainda existem mulheres que não sabem como se toma pílula anticoncepcional. Não existe educação sexual. O que antecede o aborto é a questão do conhecimento do próprio corpo e a maioria das mulheres sequer sabem de seus corpos.
    Daí a gravidez idesejada. Uma criança gerada sem ser querida já trará do útero um sentimento de rejeição. Não quero me aprofundar nos motivos acidentais que levam à gravidez indesejada – fato é que existem e movem as mulheres para processos dolorosos – escolhas dolorosas que marcam suas vidas. O livre arbítrio está nisso – nossos corpos abrigam nossa alma e a gravidez nos torna fabricantes de seres humanos… A discriminalização do aborto não estimulará a prática – ao contrário – dará à sociedade a oportunidade de que todas tenham educação sexual para que a mulher se conheça e engravide por desejo, por vontade, por condições emocionais e materiais para trazer seres humanos queridos e desejados – com certeza mais felizes sem traumas de rejeição! Tem muita coisa para falar – mas em resumo por agora é só! (linda, querida, desejada Mariana – eu te amo!)

  2. Julie Says:

    Nossa, eu vi na revista GLOSS deste mês citando o seu blog, e corri para ver e me dou com este texto.
    Sou TOTALMENTE contra, acho um ato horrendo, porco, indigno. Não me importa se foi por estupro e outras formas que algumas pessoas relevam. E isto nada tem haver com o fato de eu já ter sofrido um aborto espontâneo, sempre abominei esta prática. Não sou religiosa mas considero ser mulher e poder gerar um filho um dom, uma dádiva.
    Não me desce guela abaixo o discurso de “mulher deve ter autonomia sobre as próprias vidas”. E a vida inocente e frágil que é gerada? Esta não deveria ter seus direitos de seguir em frente?? É mais cruel que o assassinato de uma pessoa adultam que qualquer ato contra a vida de alguém.
    Mulheres conquistaram a autonomia de seguir suas vidas sem filhos com a popularização das pípulas anticoncepcionais e com o uso da camisinha. Tudo que é preciso é mais consciência.
    É assim que eu penso, pode ser retrógrado e extremista demais mas é a minha opinião. Somente a palavra aborto me ofende.

    • clubedadesconquista Says:

      Julie, é para isso que estamos aqui. Exatamente para que cada um possa expressar a sua opinião. Como disse, o blog não é a favor, somente foi a opinião de uma das autoras, mas é importante que as pessoas tenham opiniões e não mudem de galho em galho, especialmente na época das eleições!
      Um beijo e obrigada por ter passado por aqui!

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